Estudantes do CEM de Pontal do Paraná, organizam mobilização em virtude do corte de verbas

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Na próxima semana, estudantes, pesquisadores e docentes do Centro de Estudos do Mar (CEM) da UFPR, em Pontal do Paraná, devem se unir para uma grande mobilização. Segundo os organizadores, o manifesto acontece em virtude dos cortes de verba feitos recentemente pelo Governo Federal.

Sobre o assunto, o Portal E+ Notícias conversou com Bruno Martins Gurgatz, Pesquisador pelo Programa de Pós-graduação em Sistemas Costeiros e Oceanicos da UFPR, no CEM. Confira a entrevista!

Qual a motivação da mobilização ?

No dia 22/11, o governo federal anunciou o bloqueio de 5,7 bilhões do Orçamento de 2022. Na última terça-feira (06), a CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) anunciou que não teria dinheiro para pagar as bolsas de mestrado, doutorado e outras bolsas de pesquisa que são providas pela instituição.

Tais bolsas são a forma de financiamento da ciência no país, visto que os programas de pós-graduação das universidades federais são onde realizam-se as pesquisas científicas e o desenvolvimento tecnológico no Brasil. Os valores constituem o salário de pesquisadores que sempre sofreram com a falta de direitos trabalhistas como férias, 13º ou seguro desemprego, e agora ainda passam pela insegurança de não receber os baixos valores providos para sua sobrevivência. Deveríamos ter recebido nosso dinheiro até esta quarta-feira (7).

No Litoral do Paraná, possuímos uma série de programas de pós-graduação espalhados entre as Instituições de Ensino Superior. Eu, por exemplo, sou Bolsista CAPES de Doutorado, e faço pesquisas sobre a poluição química marinha no programa de Pós-graduação em Sistemas Costeiros e Oceânicos da UFPR, em Pontal do Paraná. Também existem programas de pós-graduação na UFPR Litoral em Matinhos, e no Instituto Federal e UNESPAR em Paranaguá.

Além de nós, diversos outros cortes ocorreram, como o das bolsas PROBEM para alunos de graduação em situação de vulnerabilidade social e econômica. As universidades também estão com dificuldades para pagamentos de contas básicas como água e luz.

Como será essa mobilização?

Como tudo ocorreu de maneira abrupta, ainda estamos organizando uma série de mobilizações que devem ocorrer durante a próxima semana. Estamos atuando a partir de duas frentes básicas, sendo uma delas a mobilização política para que possamos mitigar os danos causados pelos cortes, como por exemplo, buscando meios de garantir a alimentação e moradia, além da ajuda de instituições como Sanepar e Copel.

A outra frente está buscando organizar uma série de atos para tornar a causa mais visível dentro da sociedade. Na feira que ocorre nos sábados em Pontal do Sul, pretendemos nesta semana levar os trabalhos dos pesquisadores para serem divulgados entre a população. Novos atos serão planejados em sequência em parceria com os outros programas do litoral.

O que pretendem com esse movimento ?

Pretendemos garantir que haja o pagamento imediato das bolsas universitárias, tanto para graduação quanto pós-graduação, e a restituição dos valores que estavam GARANTIDOS para a realização das atividades de pesquisa no ano de 2022.

Até o presente momento, a Associação Nacional de Pós-graduandos (ANPG) e a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (ANDIFES) estão atuando em Brasília para a recuperação de tais valores. Até o momento em que escrevo, noite de 8 de dezembro, houve o anúncio do pagamento das Bolsas de vulnerabilidade (PROBEM) e de pesquisa (CAPES) que estão previstas para serem pagas até terça-feira feira da semana que vem.

Quem quiser aderir à mobilização, como deve fazer ?

Estaremos organizando uma série de eventos durante este mês, e pedimos que a população esteja do nosso lado, sendo que compomos uma força de trabalho importante como qualquer outra para o desenvolvimento do país, e somente queremos garantir o salário dos trabalhadores e estudantes da ciência no país.

Neste sentido, pedimos que apoiem e participem das manifestações, busquem conhecer os cientistas das suas cidades, e caso queiram participar da construção do nosso movimento, basta procurar os estudantes de Pós-graduação que estarão se mobilizando nas instituições de ensino do litoral.